2015

Alemanha Parte 2: Neve, Bamberg e Würzburg com Chocolate Quente Branco.

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Dia 4 de Abril foi um dia que eu jamais esquecerei em toda a minha existência (profunda). Acordei cedo, subi e me entupi de pãezinhos com geléia de ameixa preparada pela mãe da Angie.
Antes de sair a mãe da Angie me emprestou uma bota própria para a neve, já que eu só estava com a minha fake UGG, e fez questão de que eu estivesse com os pés 100% confortáveis. Lá pelas nove da manhã pegamos o carro e seguimos em direção à Ochsenkopf, que ficava a umas duas horas de distância dali de Puschendorf. Durante o caminho os pais da Angie me apontavam regiões/construções importantes e me explicavam um pouco sobre elas.
Conforme nos aproximávamos de Ochsenkopf as árvores iam ficando branquinhas, tudo coberto por neve. Eu não conseguia parar de olhar pela janela, era muito bonito! IMG_2538_2
Quando finalmente chegamos, os pais dela tiraram dois trenós (!!!) do carro e começamos uma longa caminhada montanha acima. Na hora que eu PISEI na neve eu comecei a rir, vocês não tem noção da minha felicidade! Não consigo explicar, eu até queria manter uma expressão normal, mas não consegui conter a animação e sai andando em círculos pela neve pelo simples prazer de ouvir o barulho dela afundando sob os meus pés (deu pra entender que era a primeira vez que eu estava vendo neve na vida né? Ah tá.). Tirei a luva e peguei um pouquinho na mão, ali aos pés da montanha, ela estava um pouco dura mas a Angie me disse que era muito mais macia do que aquilo. Eu achei bem menos fria do que aparentava.

 

Caminhamos por umas duas horas, é muito difícil andar na neve, requer muito esforço. Por mim eu teria parado ali e teria passado a tarde inteira me jogando no chão e construindo bonecos de neve. Quanto mais a gente subia, mais neve tinha e mais rarefeito era o ar, então estava um pouco cansativo pra mim. Fiz algumas pausas pra respirar melhor e pra tirar os casacos, porque eu estava ficando com calor. Em alguns momentos eu sentei no trenó e a Angie me puxou para que eu pudesse descansar um pouco.

Uma hora ela disse pra eu chamá-la de Rudolph!
Uma hora ela disse pra eu chamá-la de Rudolph!

 

Chegando no topo da montanha, almoçamos num restaurante que tinha por lá. Me lembrou um pouco aquela cabana no meio da neve que tem no filme Frozen (podem julgar, nem ligo). O prato que eu tinha escolhido tinha acabado, então tive que pedir outra coisa. Não lembro o nome, mas eram duas ou três fatias de carne num molho e dois dumplings… Aí temos um problema… Descobri que não dá pra comer dumplings várias vezes,  fica meio enjoativo, e toda vez que eu olhava para o meu prato e via DOIS eu entrava num semi desespero. Se eu estivesse com fome, acabaria com eles em 5 minutos. Mas acho que devido à falta de ar e cansaço, meu apetite reduziu muito, e com muita dor no coração, não consegui terminar.
A Angie sugeriu que eu provasse uma cerveja, eu topei, afinal de contas, estava na Alemanha, na Baviera então… Porque não? O único problema é que eu não gosto de cerveja. Já tentei gostar, tentei mesmo, mas tem alguma coisa nos ingredientes que me faz querer vomitar depois do terceiro gole. Ela sabia disso, então sugeriu que eu tomasse uma que era uma mistura de cerveja com limão. E então chegou o “copo”:

Socorr
Socorro.

Como eu já esperava, depois do terceiro gole eu já não aguentava mais, mas obviamente me esforcei um pouco… Só que aquilo nunca chegava na metade! Eu resolvi não forçar, já não estava me sentindo bem por causa da altitude, do cansaço, da barriga cheia de dumplings + cerveja… Melhor parar por aqui pra não estragar o passeio. Pedi ajuda pra Angie e ela deu conta do recado (que expressão incrível, super atual). IMG_2590_2
Saímos do restaurante e começamos o passeio de descida da montanha… Essa parte foi bem mais tranquila, afinal, era uma descida, eu já tinha descansado e na maior parte do tempo usamos os trenós. Eles me ensinaram como controlar a direção e a velocidade com os pés e lá fui eu toda criança desajeitada descer a montanha. Entalei algumas vezes, mas e daí? Experiência incrível gente, amei. Faria aquilo o dia inteiro, todos os dias.
Teve uma hora que, por algum motivo, eu e a Angie saímos correndo montanha abaixo, a neve estava muito, muito fofa e ela tropeçou e foi de cara no chão. Depois de rachar o bico checar se ela estava bem, ela disse que não machucou nada e eu perguntei se poderia tentar. Procurei um canto onde a neve estivesse bem acumulada e bem alta e comecei a me jogar nela, e gente… Essa é a coisa que eu mais amo fazer na vida! É tão divertido quanto se jogar contra as ondas do mar, só que é a versão inverno!

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Terminamos o nosso passeio super cansados (bem, pelo menos eu), limpamos os trenós, guardamos de volta no carro e viemos embora. Eu dormi praticamente o caminho de volta inteiro.
Não lembro o que mais aconteceu durante aquele dia, mas eu sei que eu estava me sentindo a pessoa mais realizada do planeta! Eu estava muito, muito cansada e já estava dormindo antes mesmo de deitar na cama.

O DIA SEGUINTE ERA PÁSCOA! E foi a Páscoa mais legal que eu passei em muito tempo! Tomamos café da manhã todos juntos, como sempre, mas nesse dia a mesa estava decorada com alguns ovinhos coloridos e tinham duas coisas diferentes na mesa, uma colomba que eu tinha levado de presente (fiquei super aliviada que eles gostaram) e um bolo em forma de ovelha, típico do dia de Páscoa. Era muito gostoso, bem simples e coberto com bastante açúcar de confeiteiro.
Conversamos por bastante tempo, até que a mãe da Angie se levantou e disse: “Vamos até o jardim? Acho que o coelhinho da Páscoa passou por lá.”

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Susi, eu e Angie com nossos presentes!

Nos levantamos, colocamos nossos casacos e fomos até o jardim. A Angie me explicou que deveríamos procurar os presentes de páscoa pelos arbustos, eu achei incrível. Fiquei observando eles procurarem e encontrarem seus respectivos presentes, até que a Angie disse para que eu procurasse também.
Fiquei meio sem graça né, porque eu ia procurar e não teria nada pra mim, então achei melhor ficar na minha pra não ter aquele climão. Com um sorriso meio amarelo, sussurrei pra ela: “Mas não vai ter nada escondido pra mim” e ela: “Mas é claro que vai! Você realmente achou que não teria nada pra você?” Sentei no cantinho e chorei de emoção. Comecei a procurar meu presente meio sem saber como, e elas me diziam se estava “quente ou frio” até que encontrei… Vários presentes! Uma cestinha amarela cheia de ovinhos de chocolate, um bolo em forma de ovelha e um pacote que depois descobri que era um presente especial da Angie, um porta retrato com uma foto minha, dela e da Ale que tiramos quando estávamos na Piazzale Michelangelo. Eu me senti toda boba né? Agradeci mil vezes, abracei a mãe dela pela lembrança e pelo carinho. Foi uma manhã incrível, ganhei presentes e ainda aprendi a comemorar a Páscoa de um jeito diferente do qual eu estava habituada, em outro país, em outra família, que me acolheu do jeito mais incrível e carinhoso possível. Isso será algo que vou levar pra sempre. :)
Achei interessante que na Páscoa de lá eles não ganham só chocolate, também podem ganhar dinheiro e outras coisas. Por exemplo, eu ganhei o porta retrato, a Angie ganhou uma blusa e soube que os filhos dos vizinhos tinham ganhado uma bicicleta.

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Depois, aproveitamos o resto do dia para fazer um passeio em uma cidade próxima: Bamberg.
A Susi foi conosco dessa vez, fomos de carro até uma estação de trem (não sei onde) e pegamos um trem para Bamberg.
O dia estava muito bonito e a cidade estava cheia.  Fomos conhecer um castelo e durante o resto do dia andamos pela cidade.
Avancei um nível no quesito turista quando fiz compras numa lojinha de souvenirs. Comprei pro meu irmão uma super caneca de vidro com o brasão da Alemanha (ele tinha me pedido) e para decorar a minha casa comprei uma caneca de cerveja feita de pedra com o brasão da Baviera. A parte mais legal dessa lojinha é que ela tinha uma parede coberta de relógios tipo cuco, lindos! Só não comprei porque não teria espaço na mala… Quando estava saindo eles começaram a tocar, me lembrou o início de Pinocchio.


O dia seguinte era meu último dia na Alemanha, acordamos cedo e fomos para Würzburg, a cidade onde os avós da Angie moram e onde ela faz faculdade. Enquanto os pais dela foram se encontrar com a família, eu e a Angie fomos para a Würzburger Residenz, que foi a residência (ah vá) de vários príncipes-bispos. Lá foram também gravadas cenas do filme Os Três Mosqueteiros, aquele com o Orlando Bloom e o Logan Lerman.

Würzburger Residenz
Würzburger Residenz

Entramos e esperamos um pouco até começar a visita com o guia. Gente… Que lugar incrível, muito lindo e luxuoso! Provavelmente o palácio mais lindo que eu tinha visto até agora. O guia só falava alemão mas a Angie traduzia para mim os pontos mais importantes. Infelizmente não era permitido tirar fotos, então na saída eu comprei um cartão postal de cada cômodo, pra poder guardar.
Depois da tour dentro do palácio, nós fomos para os fundos, onde tinha um jardim incrível, sentamos num banquinho que dava bem de frente para a residência e ficamos por ali conversando.

 

Paramos em uma cafeteria para comer alguma coisa. Achei engraçado que o lugar oferecia pequenos cobertores para quem optava ficar nas mesinhas do lado de fora. Mas mesmo assim ficamos do lado de dentro, que tinha vista para o rio. Eu pedi um sanduíche de salmão defumado e para beber pedi um chocolate quente… BRANCO! A Angie tinha comentado sobre isso quando ainda estava em Florença e eu fiquei morrendo de vontade de experimentar. É delicioso e nem um pouco enjoativo.

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Depois de comer passeamos mais pela cidade, vimos mais alguns pontos turísticos até que resolvemos ir para o apartamento da Angie. Basicamente passamos o resto da tarde conversando e esperando que os pais dela viessem me buscar para voltarmos à Puschendorf.
Aconteceria o seguinte: A Angie ficaria em Würzburg porque teria aula no dia seguinte, era perda de tempo ela voltar conosco e ir de novo depois. Eu voltaria para a casa dos pais dela e de manhã a mãe dela me deixaria no aeroporto.
Depois de uma despedida em que eu tive que fazer uma forcinha para não chorar, saímos de Würzburg. No caminho a irmã da Angie me disse algo que mexeu comigo, era algo como: “Seu coração nunca será completo outra vez, e esse é o preço que se paga por ter amigos que vem de países diferentes” Achei lindo e elas me fizeram entender que aquilo é a mais pura verdade.
Dia sete de manhã acordei meio triste por ter que deixar aquele lugar incrível e voltar para FLR, ainda mais sem a Angie. A mãe e a irmã dela me levaram até o aeroporto, me ajudaram no check-in e me deixaram na porta da sala de embarque. Eu agradeci por tudo, pedi desculpas por qualquer coisa que eu tenha feito de errado e fui convidada à voltar logo.
Essa viagem foi tão incrível, superou toda e qualquer expectativa! Conheci cidades lindas, aprendi sobre os costumes locais, passei um tempo com uma amiga super querida e fui recebida pela família dela com um carinho e atenção inigualáveis.

Foi uma das experiências mais maravilhosas e lindas que eu já tive na vida e como isso é BOM, gente! Recomendo à todo mundo! ;)

Baci, baci!

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