2015

Alemanha Parte 1: Nürnberg e Fürth.

Os planos de passar a Páscoa na casa da Angie, na Alemanha, deram super certo. Inicialmente pensei em ir de trem, mas de avião ficou muito mais barato e cômodo (316 euros contra 240 euros). Como já estava muito em cima da hora o preço não seria menor que isso, mas sem chances de ir de trem, pagar mais caro e ainda por cima ter que encarar uma viagem super longa e cansativa.
Peguei um ônibus na estação Santa Maria Novella que me deixou no aeroporto de Pisa, e de lá, eu peguei um vôo para Munique e depois um para Nürnberg.
Os vôos não foram os mais tranquilos, atrasaram um pouco e tiveram bastante turbulência, e eu acabei ficando com uma dorzinha de cabeça por causa do medo/nervoso.

Agora, abre parêntese: Eu adoro carimbos no passaporte. A Angie disse que de trem ninguém recebe carimbo, por isso que fiquei ainda mais feliz por pegar avião, porque quando eu chegasse em Munique teria meu passaporte carimbado, né? Quando cheguei em Roma carimbaram, então… Era obvio que eu ganharia um carimbinho. Fecha parêntese.
Chegamos em Munique atrasados e todo mundo saiu correndo pra embarcar para Nürnberg, faltava meia hora pra fechar o portão. Eu era uma das primeiras da fila, conferi passaporte, passagens… Passaporte! Ele estava comigo mas ninguém tinha carimbado, e agora? Eu teria problemas para sair do aeroporto de Nürnberg sem um carimbo? Subi as escadas e voltei para a entrada do portão. A moça me olhou meio sem entender e eu perguntei pra ela se eu não precisava carimbar o passaporte, tirei ele do bolso e mostrei pra ela ver que eu não era européia, logo, na minha cabeça, eu precisava de um carimbo. EU QUERIA UM CARIMBO!
No, it’s ok, you are in Europe. Europe is free!” Certo. Se você está indo de qualquer país da União Européia para outro país da União Europeia… Você.não.recebe.carimbo. Eu sabia que a Europa era livre, mas eu pensei que um cidadão não-europeu vindo de qualquer parte do mundo precisava mostrar o passaporte e receber o carimbo mesmo assim, mesmo se estivesse viajando entre países europeus.
Fiquei um pouco decepcionada, estava esperando um carimbinho pra colorir o passaporte :(

ENFIM… Cheguei em Nürnberg no final da tarde, a Angie e a mãe dela estavam esperando por mim na porta da sala de desembarque. Nos abraçamos e pegamos o carro em direção à Puschendorf, cidadezinha onde os pais dela moram, uma meia hora de distância dali. No caminho vi muitos campos e conforme nos aproximávamos pude ver várias wood houses e casinhas super charmosas com telhado pontudo, sem portão e com jardins enfeitados para a páscoa. Eu estava me apaixonando aos poucos, eram coisas que eu só tinha visto pelo computador, o tipo de imagem que você encontra só no Tumblr.  IMG_2316_2
Depois de conhecer o pai dela, colocar as coisas no meu quarto temporário (era um quarto super confortável enorme no porão, com uma janela que dava pra ver o jardim lá em cima) eu e a Angie saímos para dar uma volta pelo bairro. Tentamos sair três vezes: Na primeira, chegando no final da rua eu já tinha congelado, pedi para voltamos e coloquei todas as segundas peles que eu levei. Na segunda vez, ao sairmos de casa começou uma tempestade de neve que não era bem neve porque eram flocos um pouco grossos de gelo. Eu amei, pirei, surtei óbvio! Ficamos lá fora por um tempo (para satisfazer essa criança feliz que vos escreve), só que ficou mais forte e resolvemos entrar. Nesse meio tempo chegou a irmã mais velha da Angie, a Susi. Uns três minutos depois essa “tempestade” parou e finalmente conseguimos sair.
O tempo inteiro eu pensava que estava andando em um condomínio fechado. É tudo muito quieto, limpo e extremamente lindo! Fui muito turista e tirei foto das casas. Lembro que fiquei muito surpresa quando encontramos um banco que tinha formato de casa e em cima dele moravam pessoas! Só dá pra entender com a foto:

Isso é um agência bancária com uma residência em cima!
Isso é um agência bancária com uma residência em cima!

Achei incrível o fato de que as casas tinham portões simplesmente como decoração, algumas eram só cercadas por arbustos baixos. E a porta de entrada das casas dava diretamente na rua! Eu fiquei maravilhada, toda hora falava pra Angie que aquilo tudo era muito “Alemão”.

Voltamos para a casa dela quando começou a escurecer, a mãe dela tinha preparado o jantar. Era uma espécie de massa feita só com farinha, lembrava massa de nhoque mas um pouco mais consistente, tinha o formato e tamanho daquelas cenourinhas baby, só que pontudas dos dois lados e era acompanhada por legumes, molho e bacon em cubinhos. Era muito gostoso!
Agradeci mentalmente pela família da Angie ter o horário certo, eu precisava dormir um pouco. Desci para o meu quartinho por volta das 22hrs e fiquei muito feliz ao encontrar um edredom daqueles enormes e grossos. Fora que o sofá cama estava aberto e o colchão por cima dele era feito de penas. Pensa numa pessoa que dormiu confortável… Peguei no sono no mesmo segundo que deitei.

No dia seguinte acordamos cedo, por volta das 8:30, tomamos um café da manhã delicioso com vários tipos de pães e geléias, e peguei um trem até Nürnberg com a Angie.IMG_2361_2

Lá visitamos o Kaiserburg Nürnberg, um castelo imperial. Fizemos a visita com áudio-guide e e adorei cada segundo. Achei muito interessante que nos castelos de lá eles tinham uma espécie de móvel perto de uma das paredes de cada cômodo, o guia me dizia que aquilo era um “forno” e só depois entendi que era uma espécie de aquecedor, por causa das baixas temperaturas do país. Achei super interessante porque não vi nenhum aquecedor em nenhum palazzo na Itália.


Tiveram duas partes que eu gostei mais: A Torre, de onde podíamos observar a cidade inteira, e mais interessante era que no parapeito de cada janela havia uma foto de como aquela exata vista era antes, durante e depois da guerra.
E a outra foi um poço escondido. Ele era tão fundo, que quando a guia jogou água lá dentro ela levou pelo menos uns 6 segundos para atingir o fundo. Também achei legal quando ela fez uma lanterna descer até o fim para que a gente pudesse observar e entender a profundidade.

IMG_2420_2
Vista de uma das janelas da torre. Infelizmente não tenho a foto da paisagem destruída.

Para ir para a torre ou para o poço precisávamos do mesmo ingresso que usamos para entrar no castelo. Em algum momento durante o passeio eu perdi o meu e só me dei conta no final. Fiquei com aquela cara e a Angie foi explicar a situação para um dos seguranças que trabalhavam por lá. Ele sugeriu que ela fosse na bilheteria e explicasse a situação para a moça que nos vendeu o ingresso, caso ela se lembrasse de nós, nos daria um ingresso novo. Sem muita certeza de que isso aconteceria, fomos até a bilheteria, a Angie mal começou a falar, a moça entregou um ingresso para ela. Mas não era só um ingresso… Era o meu ingresso, estava cortado e amassado como eu me lembrava. Alguém viu ele no chão e devolveu ao invés de pegar para si ou jogar fora! Amo a Alemanha.

Saindo do castelo fomos em uma igreja ali perto para uma missa. Eu não costumo ir em missas, na verdade, essa foi a primeira vez. Mas toda páscoa e Natal e Angie gosta de ir. Acompanhei ela, óbvio. Fiquei lá sentadinha por uma hora, sem entender nada e lutando contra um soninho confortável. Eu agradecia à Deus todas as vezes que precisávamos fechar os olhos para orar, porque eu aproveitava e dava uma pescada sem me sentir culpada! Desculpa se alguém se sentiu ofendido com essa minha confissão.
Depois da missa almoçamos em um restaurante próximo dali e a Angie ficou responsável por me explicar/escolher meu prato. Ela me sugeriu linguiças grelhadas típicas da região e um dumpling, que é uma bola (um pouco maior que uma bola de bilhar) feita de uma massa bem parecida com àquela que a mãe dela preparou, mas um pouco mais consistente recheada com pedacinhos de pão. A Angie me disse que aquela não era uma combinação nada comum, mas pediu assim para que eu provasse um dumplig. E eu gostei muito de tudo! De sobremesa pedimos uma strüdel de maçã que acompanhava uma fatia de torta de ricota e sorvete.IMG_2435_2

Ainda era cedo, não tínhamos muita coisa pra fazer então resolvemos andar pela cidade. Fomos para um parque que ficava por ali e passamos um bom tempo conversando sobre todos os assuntos possíveis. Lá pro final da tarde ela me levou até Fürth, a cidade onde ela tinha estudado, só para passarmos o tempo e para que eu pudesse ver outros lugares. A cidade estava bem vazia, afinal era quase feriado. Passamos em frente à escola dela e reparei que vários prédios por ali tinham as fachadas meio pretas, como se tivessem pegado fogo e não tivessem sido repintadas. Ela me disse que era aquilo foi causado pelo mercúrio, porque antigamente naquela região havia uma fábrica de espelhos.

Quando escureceu pegamos um trem para casa, o pai dela nos esperava na estação para nos dar uma carona. Chegamos na casa dela e logo fomos dormir porque acordaríamos cedo no dia seguinte para ir em busca de… Neve! *-*

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