2015

Um Post Choroso com Desastres Naturais e Carrossel

Numa quarta-feira à noite, eu e a Angie fomos convidadas para jantar no apartamento da Pao e da Monica. Junto com a Alejandra, elas cozinhariam um jantar tipicamente mexicano para nós! Gente, não tinha como ser mais incrível. Elas capricharam em todos os detalhes, teve entrada, principal, sobremesa e bebiba típica e elas explicavam para nós o que era cada coisa.
Descobri que não se coloca queijo nos tacos e que o Taco Bell é tudo menos mexicano.
De entrada elas nos serviram uma sopa de feijão com queijo de cabra (quase certeza) e pedaços de abate.
O principal eram tacos, a Paola preparou 3 tipos de molhos com diferentes níveis de pimenta, pedaços de cebola roxa, carne, guacamole, coentro e mais algumas coisinhas acompanhavam. Nós mesmas montamos os nossos com o que mais nos agradou (pra mim, tudo).
Tomamos horchata, uma bebida feita à base de arroz que era muito, mas muito boa!
E de sobremesa um pudim de arroz!

Na semana seguinte fui num restaurante brasileiro com um pessoal da escola. Muito engraçado vê-los não saber se comportar diante de uma feijoada! Serviram tudo separado em cumbucas, como tem que ser, aí a Alejandra pegou a cumbuca de arroz e colocou em cima do prato com uma cara de interrogação, eu comecei a rir! Eu tinha pedido um estrogonofe (AMO MAIS QUE A VIDA), mas ajudei a galera a se localizar e entender o que acontecia com as cumbuquinhas ali e como eles deveriam comer. Foi uma noite muito gostosa e meu nível de Guaraná no sangue ficou devidamente normalizado.IMG_1722

No dia seguinte, dia 26 de Fevereiro, eu e a Angie resolvemos ir para Livorno depois da aula. Chamamos a Paola, para ir junto e assim que o sinal tocou fomos para a estação e compramos nossas passagens para Arezzo. Não, você não leu errado. Por algum motivo mudamos os planos nos últimos 5 minutos e resolvemos passar a tarde em Arezzo.

Arezzo fantasma
Arezzo fantasma – Angie no meio e Pao mais próxima da câmera :)

Chegamos lá por volta das 14hrs eu acho, morrendo de fome e quem disse que encontramos algum restaurante aberto? Depois de rodar muito pela cidade, encontramos um lugar que ficava aberto até mais tarde e que salvou nossas vidas. O lugar estava praticamente vazio, o garçom foi muito simpático e a comida era muito boa. Passamos o resto do dia andando, e em algum ponto começamos a achar que parecia uma cidade fantasma. Estava tudo vazio e fechado e do nada ouvíamos umas musiquinhas estranhas tocando. Nos olhávamos com aquele sorriso amarelo do tipo “Eu não estou com medo, você tá? Porque eu não estou. Mas se você quiser embora eu vou com você”. Enfim, foi legal! Eu não estava muito afim de ir, mas como o tempo da Angie aqui estava passando muito rápido, eu queria aproveitar com ela, já que eu não saia praticamente nenhum dia e não tinha vontade de fazer nada. Várias vezes combinei coisas com ela e no dia seguinte na hora de acordar eu desistia. Não é algo de que eu tenho orgulho, mas me incomodou bastante nesse tempo aqui, e eu não tinha ideia do porque que isso acontecia e não tinha o mínimo de vontade de fazer nada a respeito. Isso fazia com que eu sentisse muito mais saudade do Brasil, dos meus amigos e tudo mais. Não importava o que eu fizesse ou onde eu fosse, eu sempre, sempre tinha a sensação de que poderia ter sido melhor e de que faltava alguma coisa. Não era uma sensação que eu conseguia me acostumar, era algo que me me impedia de aproveitar a viagem e me deixava pra baixo, tirando até minha vontade de frequentar as aulas. Eu só queria ficar na cama. Um dia a Angie até me deu uma semi-bronca, dizendo que estava decepcionada comigo. Fiquei ofendida por alguns segundos, mas depois relevei porque eu sabia que ela estava certa.

No sábado, dia 28, era o último dia da Angie aqui. Ela iria embora lá pelas onze da noite, então queríamos aproveitar o dia inteirinho. Acordamos relativamente cedo e fomos com a Ale conhecer a Piazzale Michelangelo. Uma praça enorme que fica bem no alto, do outro lado do Rio Arno e que tem uma vista incrível de Florença. O dia estava lindo, tiramos umas mil fotos! A Ale teve que abandonar a gente e ir trabalhar, eu e a Angie ficamos mais um pouco, conhecemos uma igreja que tem lá em cima e depois procuramos um lugar para almoçar. Achamos uma osteria incrível, deliciosa e barata e eu almocei com tudo o que tinha direito: primeiro e segundo prato e vinho!

Mais tarde, quando a Ale saiu do trabalho, nos encontramos na Piazza della Repubblica e andamos no carrossel que tem lá no meio. Eu e a Angie não conseguíamos parar de rir, a Ale deve ter ficado com vergonha alheia, porque nem quis ir, ficou só tirando fotos nossas. Infelizmente o passeio foi curto, por mim eu teria continuado lá, mas… Temos que respeitar a vez dos amiguinhos. Sendo assim, dei meu lugar a uma criancinha de uns 8 anos.

angie

Voltamos para o apto para pegar as coisas da Angie e acompanhá-la até a estação. Eu estava novamente com aquela sensação de coração apertado. Apesar de eu ter a Ale, a minha colega de quarto iria embora e eu ficaria 100% sozinha naquele apartamento enorme por umas duas semanas ainda.
Encontramos o trem e o vagão dela e nos despedimos. Ela tirou da bolsa um envelope me entregou, pediu que eu abrisse só quando chegasse em casa. Eu fiquei super feliz, eu sabia que ela tinha comprado um presente surpresa pra Ale, mas não pra mim! Nos abraçamos mil vezes e combinamos de nos ver o mais rápido possível. Ela tinha me convidado para passar a páscoa na casa dela na Alemanha e estávamos mesmo fazendo de tudo para que esse plano desse certo. Por fim, ela subiu no trem e sumiu pelas cabines.
Eu e a Ale fomos embora, mas antes ela me disse que se eu precisasse de qualquer coisa, se eu não me sentisse bem essa noite, para eu chamar ela. Achei que ela foi uma linda, elas sabiam como eu me sentia em relação à FLR. Agradeci e fui para casa, precisava encarar o fato de estar sozinha mais cedo ou mais tarde. Não foi tão ruim quanto pensei que fosse, mas mesmo assim fiquei meio chorosa. Ainda mais quando abri o envelope que a Angie me deu e encontrei um cartão postal da cidade, um colar lindo com a flor símbolo de Florença e uma carta que, obviamente, me deixou mais chorosa ainda. Não tenho palavras pra descrever o que foi conhecer essa menina, o quanto ela me ajudou mesmo sem saber. A sensação de ter amigos verdadeiros que vem de outra parte do mundo é única! :)

Eu querendo bolo :(
Eu querendo bolo :(

Dia primeiro de Março é aniversário da minha mãe. Eu sabia que algumas pessoas iriam lá em casa para comemorar e pedi para que ela me colocasse no Skype para eu poder participar da festa. Foi ótimo, bem engraçado participar do parabéns, das conversas e tudo… Só fiquei morrendo de vontade do bolo! D: Eu ainda estava meio ~abalada~ com tudo e esse era o primeiro aniversário da minha mãe que eu passava tão longe dela. Na hora que desligamos o Skype, o óbvio aconteceu: Chorei largada na ladeira da saudade. No dia seguinte me dei um dia de folga e não fui na aula, não estava me sentido nada bem pra sair e encarar a cidade onde eu não conseguia me encaixar de forma alguma. Não estava afim de reforçar a sensação de estar sozinha e de não gostar do lugar.

O resto da semana se passou sem mais novidades, até chegar dia 3 de noite. Ah dia 3… Para relembrar, eu estava morando sozinha no apto. Era de noite eu estava no Skype com a minha mãe, logo mais iria dormir. Então, de repente, todas as janelas do apto começaram a tremer e fazer um barulho de vidro querendo quebrar, eu olhei para os lados e simplesmente senTI O APARTAMENTO, MINHA VIDA E MINHA ALMA BALANÇAREM DE UM LADO PRO OUTRO TRÊS VEZES!!! Sei que empalideci na hora. Minha mãe ainda estava na tela e eu não queria deixar ela preocupada (apesar dela já ter me chamado 3 vezes e eu não ter tido força para responder). Tentei disfarçar e disse que a janela da cozinha tinha batido, sai de frente do computador pra tentar colocar minha cabeça em ordem. Voltei depois de “fechar a janela”, me despedi rapidinho e fiquei quietinha esperando alguma coisa que eu não sabia o que era.
Então recebi uma mensagem da Ale: “Tá acordada?” e eu respondi: “Você sentiu isso!?” e aí começamos a escrever/gritar uma com a outra pelos próximos trinta minutos. Aquilo tinha sido um terremoto! GENTE, UM TERREMOTO! Eu só conseguia lembrar de um e-mail que a minha tia me enviou há muito tempo atrás sobre como se comportar durante um terremoto. Confesso que até calcei meus sapatos e fiquei em dúvida sem ia pra baixo da mesa ou não…

No dia seguinte na escola, ninguém parecia estar nem aí, já eu não falava de outra coisa e todas as frases que a gente tinha que formar nos exercícios eu dava um jeito de adicionar o terremoto no meio! HAHAHAHA Acho que foi um terremoto 3.4, sei-lá, não lembro… A garota japonesa que tinha entrado na minha sala (agora éramos só nós duas) não tinha ficado nem um pouco impressionada.
Eu esperava dormir bem na noite seguinte, mas como se não bastasse um terremoto, um mini-furcão resolveu visitar FLR também. Eu detesto barulho de vento, e naquela noite estava horrível… Além de todas as janelas possíveis baterem sem parar, o vento assobiar por entre as frestas, eu conseguia ouvir as coisas serem quebradas do lado de fora, telhas voarem e afins. Não tive medo não, foi de boa. O fato de eu só ter conseguido dormir lá pelas 8 da manhã, quando o Sol nasceu por completo foi só uma coincidência. Foi uma noite super tranquila.

Por hoje é isso, abigos! :) Não fiz muita coisa em Março então vai ser um mês rapidinho de escrever. Mal posso esperar pra contar sobre as coisas que foram realmente importantes e legais por aqui.
Té mais! ;)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s